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Dr. Mateus NogueiraCirurgião do Aparelho Digestivo

Vias Biliares · Oncologia Digestiva

Câncer das vias biliares (colangiocarcinoma)

O câncer das vias biliares é uma doença pouco conhecida e que exige um olhar especializado. Explico aqui, em linguagem direta, o que são as vias biliares, o que está acontecendo e por que o tratamento é sempre planejado em equipe multidisciplinar.

Ilustração anatômica — Câncer das vias biliares (colangiocarcinoma)

O que é, em poucas palavras

As vias biliares são os canais que levam a bile — o líquido que ajuda a digerir as gorduras — do fígado e da vesícula até o intestino. O câncer das vias biliares, chamado de colangiocarcinoma, é o crescimento de células anormais na parede desses canais.

Um sinal frequente é a icterícia — a pele e os olhos ficam amarelados quando o tumor bloqueia a passagem da bile. Também pode haver coceira, urina escura e perda de peso. O diagnóstico envolve exames de imagem e, em algumas situações, exames específicos das vias biliares.

O tratamento é definido por uma equipe multidisciplinar e depende muito da localização do tumor ao longo das vias biliares. A cirurgia é uma das opções possíveis nos casos em que a doença está localizada e pode ser removida.

Quando a cirurgia entra no tratamento

  • Doença localizada

    Quando o tumor está restrito e pode ser removido com segurança, a cirurgia pode fazer parte do plano de tratamento.

  • Conforme a localização

    A cirurgia varia bastante de acordo com o ponto das vias biliares acometido — pode envolver, por exemplo, a retirada de parte do fígado ou de outras estruturas vizinhas.

  • Alívio da obstrução

    Quando o tumor bloqueia a saída da bile, podem ser necessários procedimentos para restabelecer o fluxo, definidos pela equipe.

  • Decisão da equipe multidisciplinar

    A indicação combina a localização do tumor, a função do fígado e a sua condição clínica, sempre de forma individualizada.

Diferencial · Cirurgia Robótica

A abordagem cirúrgica

A cirurgia das vias biliares está entre as mais delicadas do aparelho digestivo, porque esses canais ficam junto a vasos importantes e ao fígado. O planejamento é cuidadoso e individualizado, e a via de acesso (aberta ou minimamente invasiva) é escolhida de acordo com a localização e a extensão do tumor, em discussão com a equipe.

  • O acesso e a técnica são definidos caso a caso, conforme a localização do tumor.
  • Em situações selecionadas, a cirurgia pode incluir a retirada de parte do fígado, para remover o tumor com margem adequada.
  • Quando há reconstrução das vias biliares, ela é feita com suturas cuidadosas para restabelecer o fluxo da bile.
  • A escolha da via cirúrgica é individualizada e discutida com a equipe multidisciplinar, como apoia a literatura citada abaixo.

Como a cirurgia é feita

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    Anestesia geral

    O procedimento é feito com você dormindo, sob anestesia geral, com a equipe acompanhando cada etapa.

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    Acesso à região das vias biliares

    O acesso é definido conforme a localização do tumor, podendo envolver a região do fígado e das estruturas próximas.

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    Retirada do segmento doente

    É removida a porção das vias biliares acometida pelo tumor e, quando necessário, parte do fígado ou estruturas vizinhas, junto com os gânglios linfáticos da região.

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    Reconstrução do fluxo da bile

    O fluxo da bile é restabelecido, em geral conectando a via biliar ao intestino com suturas cuidadosas.

A recuperação

A internação varia conforme a extensão da cirurgia e a sua evolução. A equipe acompanha de perto a função do fígado e o fluxo da bile no pós-operatório.

A alimentação é reintroduzida de forma gradual e orientada, respeitando o tempo de cicatrização das reconstruções feitas.

O acompanhamento após a cirurgia é contínuo e multidisciplinar, com orientações de retorno às atividades individualizadas, de acordo com a sua evolução.

Perguntas frequentes

O que é colangiocarcinoma?

É o nome do câncer que se origina nas vias biliares, os canais que levam a bile do fígado e da vesícula até o intestino. O tratamento depende muito de onde, ao longo desses canais, o tumor está localizado.

Por que a pele fica amarelada?

A icterícia (cor amarelada da pele e dos olhos) ocorre quando o tumor bloqueia a passagem da bile. Por isso, às vezes são necessários procedimentos para restabelecer o fluxo da bile, definidos pela equipe.

Essa cirurgia sempre pode ser feita?

Nem sempre. A possibilidade de operar depende da localização do tumor, da função do fígado e da sua condição clínica. Essa avaliação é feita pela equipe multidisciplinar, de forma individualizada.

Por que o tratamento é feito em equipe?

O câncer das vias biliares é complexo e pode envolver cirurgia, oncologia clínica, radiologia e outras áreas. A avaliação conjunta busca o plano mais adequado para o seu caso, de forma individualizada.

Fundamentação científica

As afirmações desta página são fundamentadas em literatura científica indexada no PubMed. Abaixo, as fontes e o que cada uma sustenta.

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    Does Intraoperative Frozen Section and Revision of Margins Lead to Improved Survival in Patients Undergoing Resection of Perihilar Cholangiocarcinoma? A Systematic Review and Meta-analysis.

    Lenet T, et al. · Ann Surg Oncol, 2022

    Fundamenta: Revisao sistematica e metanalise de 10 estudos (1955 pacientes) indica que, na ressecao do colangiocarcinoma peri-hilar, a revisao intraoperatoria de margem positiva ate obter margem negativa esta associada a sobrevida global semelhante a da ressecao inicialmente com margem negativa.

    PubMed (PMID 35752725)DOI 10.1245/s10434-022-12041-x

  2. 2

    Surgery for cholangiocarcinoma.

    Cillo U, et al. · Liver Int, 2019

    Fundamenta: Revisao descreve a ressecao cirurgica como unico tratamento potencialmente curativo do colangiocarcinoma peri-hilar e intra-hepatico, com sobrevida global em 5 anos em torno de 30% em grandes series, abordando os principais desafios de diagnostico, estadiamento e margens.

    PubMed (PMID 30843343)DOI 10.1111/liv.14089