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Dr. Mateus NogueiraCirurgião do Aparelho Digestivo

Fígado · Oncologia Digestiva · Cirurgia Robótica disponível

Câncer de fígado

Descobrir um tumor no fígado levanta muitas dúvidas, especialmente porque nem todo tumor hepático é igual. Explico aqui, em linguagem direta, o que está acontecendo, quando a cirurgia entra no tratamento e por que a decisão é sempre tomada em equipe.

Ilustração anatômica — Câncer de fígado

O que é, em poucas palavras

O fígado é um órgão grande, do lado direito do abdome, responsável por funções essenciais como filtrar o sangue e ajudar na digestão. Os tumores malignos do fígado podem nascer no próprio órgão (tumor primário) ou chegar a partir de outro órgão (metástase).

O diagnóstico envolve exames de imagem (como tomografia ou ressonância) e, em algumas situações, exames de sangue específicos. A avaliação considera não só o tumor, mas também a saúde do restante do fígado.

O tratamento é definido por uma equipe multidisciplinar. A cirurgia (hepatectomia, a retirada da parte do fígado onde está o tumor) é uma das opções possíveis. Uma característica importante é que o fígado tem capacidade de regeneração — a parte saudável que permanece pode assumir as funções do órgão.

Quando a cirurgia entra no tratamento

  • Tumor passível de retirada

    Quando o tumor pode ser removido preservando fígado saudável suficiente para o organismo funcionar, a cirurgia pode fazer parte do plano.

  • Reserva hepática adequada

    A decisão leva em conta a saúde do restante do fígado (a chamada reserva hepática), avaliada com cuidado antes da cirurgia.

  • Metástases selecionadas

    Em alguns casos de tumores que chegaram de outro órgão (por exemplo, do intestino), a retirada das lesões do fígado pode fazer parte do tratamento, conforme a avaliação da equipe.

  • Decisão da equipe multidisciplinar

    A indicação combina o tipo de tumor, a função do fígado e a sua condição clínica, sempre de forma individualizada.

Diferencial · Cirurgia Robótica

A abordagem robótica

A cirurgia do fígado exige precisão para separar o tumor das estruturas vasculares do órgão. A plataforma robótica pode ajudar: opero a partir de um console, com visão tridimensional ampliada e instrumentos articulados que permitem movimentos finos junto a vasos e ductos.

  • Visão em 3D ampliada do fígado e das suas estruturas internas.
  • Instrumentos articulados que auxiliam na dissecção precisa próxima a vasos sanguíneos.
  • Abordagem minimamente invasiva, alternativa à cirurgia aberta em casos selecionados, como descreve a literatura citada abaixo.
  • A escolha entre as vias (robótica, laparoscópica ou aberta) é individualizada e discutida com a equipe.

Como a cirurgia é feita

  1. 1

    Anestesia geral

    O procedimento é feito com você dormindo, sob anestesia geral, com a equipe acompanhando cada etapa.

  2. 2

    Acesso ao fígado

    Conforme a técnica, o acesso é feito por pequenas incisões, por onde passam a câmera e os instrumentos.

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    Retirada da parte com o tumor

    É removida a porção do fígado onde está o tumor (hepatectomia), com atenção para preservar o máximo de fígado saudável e controlar o sangramento.

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    Encerramento

    As incisões são fechadas. A parte saudável que permanece tende a assumir as funções do órgão ao longo do tempo.

A recuperação

A internação varia conforme a extensão da retirada e a sua evolução. A equipe acompanha de perto a função do fígado no pós-operatório.

Como o fígado tem capacidade de regeneração, a parte saudável que permanece tende a se adaptar com o tempo. As orientações de cada fase são explicadas a você.

O acompanhamento após a cirurgia é contínuo e multidisciplinar, com orientações de retorno às atividades individualizadas, de acordo com a sua evolução.

Perguntas frequentes

É possível viver bem depois de retirar parte do fígado?

Sim. O fígado tem capacidade de regeneração, e a parte saudável que permanece tende a assumir as funções do órgão. A extensão segura da retirada é avaliada cuidadosamente antes da cirurgia.

Todo tumor no fígado pode ser operado?

Não. A possibilidade de operar depende do tipo de tumor, da sua localização e da saúde do restante do fígado. Essa avaliação é feita pela equipe multidisciplinar, de forma individualizada.

Tumor que veio de outro órgão também pode ser operado?

Em casos selecionados, sim. Quando lesões chegam ao fígado a partir de outro órgão, a retirada pode fazer parte do tratamento, conforme a avaliação da equipe multidisciplinar.

Por que considerar a via robótica?

A cirurgia do fígado exige precisão junto a vasos e ductos. A visão tridimensional e os instrumentos articulados podem ajudar nessa dissecção. A escolha da via é discutida caso a caso.

Fundamentação científica

As afirmações desta página são fundamentadas em literatura científica indexada no PubMed. Abaixo, as fontes e o que cada uma sustenta.

  1. 1

    Laparoscopic versus open resection of hepatocellular carcinoma in patients with cirrhosis: meta-analysis.

    Kabir T, et al. · Br J Surg, 2021

    Fundamenta: Metanalise de 11 estudos (1618 pacientes) com cirrose e carcinoma hepatocelular indica que a ressecao hepatica laparoscopica esta associada a melhores desfechos perioperatorios, com menor sangramento, menos complicacoes e menor tempo de internacao.

    PubMed (PMID 34757385)DOI 10.1093/bjs/znab376

  2. 2

    Laparoscopic Versus Open Major Hepatectomy for Hepatocellular Carcinoma: A Meta-Analysis.

    Chen K, et al. · Surg Laparosc Endosc Percutan Tech, 2018

    Fundamenta: Metanalise de 8 estudos (780 pacientes) indica que a hepatectomia maior laparoscopica para carcinoma hepatocelular pode ser realizada com seguranca semelhante a aberta, associada a menor sangramento e menor morbidade pos-operatoria, sem diferenca em margem ou sobrevida de longo prazo.

    PubMed (PMID 30180140)DOI 10.1097/SLE.0000000000000567