Fígado · Oncologia Digestiva · Cirurgia Robótica disponível
Câncer de fígado
Descobrir um tumor no fígado levanta muitas dúvidas, especialmente porque nem todo tumor hepático é igual. Explico aqui, em linguagem direta, o que está acontecendo, quando a cirurgia entra no tratamento e por que a decisão é sempre tomada em equipe.


O que é, em poucas palavras
O fígado é um órgão grande, do lado direito do abdome, responsável por funções essenciais como filtrar o sangue e ajudar na digestão. Os tumores malignos do fígado podem nascer no próprio órgão (tumor primário) ou chegar a partir de outro órgão (metástase).
O diagnóstico envolve exames de imagem (como tomografia ou ressonância) e, em algumas situações, exames de sangue específicos. A avaliação considera não só o tumor, mas também a saúde do restante do fígado.
O tratamento é definido por uma equipe multidisciplinar. A cirurgia (hepatectomia, a retirada da parte do fígado onde está o tumor) é uma das opções possíveis. Uma característica importante é que o fígado tem capacidade de regeneração — a parte saudável que permanece pode assumir as funções do órgão.
Quando a cirurgia entra no tratamento
Tumor passível de retirada
Quando o tumor pode ser removido preservando fígado saudável suficiente para o organismo funcionar, a cirurgia pode fazer parte do plano.
Reserva hepática adequada
A decisão leva em conta a saúde do restante do fígado (a chamada reserva hepática), avaliada com cuidado antes da cirurgia.
Metástases selecionadas
Em alguns casos de tumores que chegaram de outro órgão (por exemplo, do intestino), a retirada das lesões do fígado pode fazer parte do tratamento, conforme a avaliação da equipe.
Decisão da equipe multidisciplinar
A indicação combina o tipo de tumor, a função do fígado e a sua condição clínica, sempre de forma individualizada.
Diferencial · Cirurgia Robótica
A abordagem robótica
A cirurgia do fígado exige precisão para separar o tumor das estruturas vasculares do órgão. A plataforma robótica pode ajudar: opero a partir de um console, com visão tridimensional ampliada e instrumentos articulados que permitem movimentos finos junto a vasos e ductos.
- Visão em 3D ampliada do fígado e das suas estruturas internas.
- Instrumentos articulados que auxiliam na dissecção precisa próxima a vasos sanguíneos.
- Abordagem minimamente invasiva, alternativa à cirurgia aberta em casos selecionados, como descreve a literatura citada abaixo.
- A escolha entre as vias (robótica, laparoscópica ou aberta) é individualizada e discutida com a equipe.
Como a cirurgia é feita
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Anestesia geral
O procedimento é feito com você dormindo, sob anestesia geral, com a equipe acompanhando cada etapa.
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Acesso ao fígado
Conforme a técnica, o acesso é feito por pequenas incisões, por onde passam a câmera e os instrumentos.
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Retirada da parte com o tumor
É removida a porção do fígado onde está o tumor (hepatectomia), com atenção para preservar o máximo de fígado saudável e controlar o sangramento.
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Encerramento
As incisões são fechadas. A parte saudável que permanece tende a assumir as funções do órgão ao longo do tempo.
A recuperação
A internação varia conforme a extensão da retirada e a sua evolução. A equipe acompanha de perto a função do fígado no pós-operatório.
Como o fígado tem capacidade de regeneração, a parte saudável que permanece tende a se adaptar com o tempo. As orientações de cada fase são explicadas a você.
O acompanhamento após a cirurgia é contínuo e multidisciplinar, com orientações de retorno às atividades individualizadas, de acordo com a sua evolução.
Perguntas frequentes
É possível viver bem depois de retirar parte do fígado?
Sim. O fígado tem capacidade de regeneração, e a parte saudável que permanece tende a assumir as funções do órgão. A extensão segura da retirada é avaliada cuidadosamente antes da cirurgia.
Todo tumor no fígado pode ser operado?
Não. A possibilidade de operar depende do tipo de tumor, da sua localização e da saúde do restante do fígado. Essa avaliação é feita pela equipe multidisciplinar, de forma individualizada.
Tumor que veio de outro órgão também pode ser operado?
Em casos selecionados, sim. Quando lesões chegam ao fígado a partir de outro órgão, a retirada pode fazer parte do tratamento, conforme a avaliação da equipe multidisciplinar.
Por que considerar a via robótica?
A cirurgia do fígado exige precisão junto a vasos e ductos. A visão tridimensional e os instrumentos articulados podem ajudar nessa dissecção. A escolha da via é discutida caso a caso.
Fundamentação científica
As afirmações desta página são fundamentadas em literatura científica indexada no PubMed. Abaixo, as fontes e o que cada uma sustenta.
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Laparoscopic versus open resection of hepatocellular carcinoma in patients with cirrhosis: meta-analysis.
Kabir T, et al. · Br J Surg, 2021
Fundamenta: Metanalise de 11 estudos (1618 pacientes) com cirrose e carcinoma hepatocelular indica que a ressecao hepatica laparoscopica esta associada a melhores desfechos perioperatorios, com menor sangramento, menos complicacoes e menor tempo de internacao.
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Laparoscopic Versus Open Major Hepatectomy for Hepatocellular Carcinoma: A Meta-Analysis.
Chen K, et al. · Surg Laparosc Endosc Percutan Tech, 2018
Fundamenta: Metanalise de 8 estudos (780 pacientes) indica que a hepatectomia maior laparoscopica para carcinoma hepatocelular pode ser realizada com seguranca semelhante a aberta, associada a menor sangramento e menor morbidade pos-operatoria, sem diferenca em margem ou sobrevida de longo prazo.

