Estômago · Oncologia Digestiva · Cirurgia Robótica disponível
Câncer de estômago
Um diagnóstico de câncer no estômago traz medo e muitas perguntas. Explico aqui, de forma direta, o que é a doença, como a cirurgia pode fazer parte do tratamento e por que cada passo é decidido em equipe. Estou aqui para esclarecer cada etapa com você.


O que é, em poucas palavras
O estômago é o órgão que recebe o alimento depois que ele desce pelo esôfago e inicia a digestão. O câncer de estômago (também chamado de câncer gástrico) é o crescimento de células anormais na parede desse órgão.
Os sintomas costumam ser pouco específicos no início — desconforto, sensação de empachamento, falta de apetite ou perda de peso. O diagnóstico é feito por endoscopia (uma câmera fina que examina o estômago por dentro) com biópsia (retirada de um fragmento para análise).
O tratamento é definido por uma equipe multidisciplinar, que avalia o estágio da doença e a sua condição clínica. A cirurgia (gastrectomia, a retirada de parte ou de todo o estômago) costuma ser uma etapa central nos casos em que a doença está localizada.
Quando a cirurgia entra no tratamento
Doença localizada
Quando o tumor está restrito ao estômago e à região próxima, a retirada cirúrgica costuma fazer parte do plano de tratamento.
Combinação com quimioterapia
Em muitos casos, a quimioterapia é feita antes e/ou depois da cirurgia, conforme a definição da equipe multidisciplinar.
Extensão da retirada
Pode ser necessária a retirada de parte do estômago (gastrectomia parcial) ou de todo ele (gastrectomia total), de acordo com a localização e a extensão do tumor.
Avaliação individualizada
A indicação e o momento da cirurgia pesam benefícios e riscos para cada paciente, sempre de forma individual.
Diferencial · Cirurgia Robótica
A abordagem robótica
A cirurgia do estômago exige dissecção cuidadosa e a retirada precisa dos gânglios linfáticos da região. A plataforma robótica pode ajudar nessa etapa: opero a partir de um console, com visão tridimensional ampliada e instrumentos articulados que se movem com precisão dentro do abdome.
- Visão em 3D ampliada do estômago e das estruturas vizinhas.
- Instrumentos articulados que auxiliam na dissecção fina e na retirada dos gânglios linfáticos (linfadenectomia).
- Abordagem minimamente invasiva, alternativa à cirurgia aberta em casos selecionados, como descreve a literatura citada abaixo.
- A escolha entre as vias (robótica, laparoscópica ou aberta) é individualizada e discutida com a equipe.
Como a cirurgia é feita
- 1
Anestesia geral
O procedimento é feito com você dormindo, sob anestesia geral, com a equipe acompanhando cada etapa.
- 2
Acesso ao abdome
Conforme a técnica, o acesso é feito por pequenas incisões, por onde passam a câmera e os instrumentos.
- 3
Retirada do tumor e dos gânglios
Parte do estômago ou o órgão inteiro é removido, junto com os gânglios linfáticos da região, que são analisados para entender melhor a doença.
- 4
Reconstrução do trânsito
O trânsito do alimento é reconstruído, ligando a parte restante do estômago (ou o esôfago) ao intestino.
A recuperação
A internação varia conforme a extensão da cirurgia e a sua evolução. A equipe acompanha de perto cada fase do pós-operatório.
A alimentação é reintroduzida de forma gradual e orientada. Quando parte ou todo o estômago é retirado, há adaptações alimentares — em geral refeições menores e mais frequentes —, que explico a você e à sua família.
O acompanhamento após a cirurgia é contínuo e multidisciplinar, com orientações de retorno às atividades individualizadas, de acordo com a sua evolução.
Perguntas frequentes
Vou precisar retirar todo o estômago?
Depende da localização e da extensão do tumor. Em alguns casos retira-se parte do estômago; em outros, o órgão inteiro. Essa definição é individual e feita junto com a equipe multidisciplinar.
Como fica a alimentação sem parte do estômago?
O corpo se adapta com o tempo. Em geral, passam a ser recomendadas refeições menores e mais frequentes, com orientações nutricionais individualizadas. A equipe acompanha essa adaptação.
A cirurgia é o único tratamento?
Não. O câncer de estômago costuma ser tratado com uma combinação de cirurgia e quimioterapia, definida pela equipe multidisciplinar de acordo com o estágio da doença.
Por que considerar a via robótica?
A cirurgia exige dissecção precisa e retirada cuidadosa dos gânglios linfáticos. A visão tridimensional e os instrumentos articulados podem ajudar nessa etapa. A escolha da via é discutida caso a caso.
Fundamentação científica
As afirmações desta página são fundamentadas em literatura científica indexada no PubMed. Abaixo, as fontes e o que cada uma sustenta.
- 1
Robotic versus laparoscopic gastrectomy for gastric cancer: The largest meta-analysis.
Guerrini GP, et al. · Int J Surg, 2020
Fundamenta: Metanalise de 40 estudos (17.712 pacientes) indica que a gastrectomia robotica e a laparoscopica sao comparaveis em seguranca e adequacao oncologica, com a abordagem robotica associada a menor sangramento e maior numero de linfonodos retirados.
- 2
Robotic Versus Laparoscopic Gastrectomy for Gastric Cancer: A Mega Meta-Analysis.
Baral S, et al. · Front Surg, 2022
Fundamenta: Metanalise de 48 estudos (20.151 pacientes) descreve a gastrectomia robotica como procedimento seguro e efetivo, associado a menor sangramento, maior numero de linfonodos colhidos e menor tempo de internacao, com complicacoes e sobrevida em 3 anos semelhantes a laparoscopia.

