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Dr. Mateus NogueiraCirurgião do Aparelho Digestivo

Fígado

Lesões benignas do fígado

É muito comum descobrir um “nódulo” ou um cisto no fígado em um exame de imagem feito por outro motivo. A maioria dessas lesões é benigna e nunca vai precisar de cirurgia. Explico aqui, em linguagem direta, quais são as mais frequentes e quando operar realmente faz sentido.

Ilustração anatômica — Lesões benignas do fígado

O que é, em poucas palavras

Lesão benigna do fígado é qualquer alteração sem câncer encontrada no órgão. As mais comuns são os cistos (bolsas com líquido), o hemangioma (um emaranhado de vasos sanguíneos, a lesão benigna mais frequente do fígado) e o adenoma (um tumor benigno mais raro, ligado a fatores hormonais).

Na grande maioria dos casos, essas lesões não dão sintoma e são achados de um ultrassom, tomografia ou ressonância pedidos por outra razão. O primeiro passo não é operar: é confirmar com segurança o tipo da lesão por imagem e, quando necessário, acompanhar a sua evolução.

A cirurgia é exceção, não regra. Ela entra quando a lesão cresce, causa sintomas, ou quando o tipo de lesão tem um risco próprio que justifica a retirada — como pode acontecer com alguns adenomas. Cada situação é avaliada individualmente.

Quando a cirurgia está indicada

  • Lesão que causa sintomas

    Dor ou sensação de peso no lado direito do abdome causadas por uma lesão grande, em geral um cisto volumoso.

  • Adenoma com risco

    Adenomas maiores ou com características que aumentam o risco de sangramento têm, em casos selecionados, indicação de retirada.

  • Crescimento ou dúvida no diagnóstico

    Lesão que cresce no acompanhamento ou cuja natureza não fica clara mesmo após os exames de imagem.

  • Complicação

    Situações como sangramento de uma lesão, que exigem avaliação e, em alguns casos, tratamento cirúrgico.

Diferencial · Cirurgia Robótica

A abordagem cirúrgica

Quando há indicação de operar, o objetivo é retirar a lesão preservando ao máximo o fígado saudável, que tem grande capacidade de funcionar bem mesmo após uma ressecção. As cirurgias do fígado podem ser feitas por via aberta ou minimamente invasiva, sempre com planejamento cuidadoso da anatomia dos vasos.

  • O fígado é muito vascularizado, por isso o planejamento do mapa de vasos antes e durante a cirurgia é essencial.
  • Em lesões selecionadas, a abordagem minimamente invasiva permite retirar a área afetada com incisões menores.
  • Preserva-se o máximo de fígado saudável, que mantém boa função após ressecções planejadas.
  • A via e a extensão da cirurgia são definidas pelo tipo, tamanho e localização da lesão, com base na literatura citada abaixo.

Como a cirurgia é feita

  1. 1

    Anestesia geral

    O procedimento é feito com você dormindo, sob anestesia geral.

  2. 2

    Acesso ao fígado

    O acesso pode ser por incisões pequenas (minimamente invasivo) ou por uma incisão maior, conforme o tamanho e a posição da lesão.

  3. 3

    Retirada da lesão

    A lesão é retirada com controle cuidadoso dos vasos do fígado, preservando ao máximo o tecido saudável ao redor (ressecção hepática).

  4. 4

    Encerramento

    A área é revisada para garantir bom controle e as incisões são fechadas.

A recuperação

O tempo de internação e de recuperação depende da extensão da cirurgia — desde ressecções pequenas até retiradas maiores de uma parte do fígado.

O fígado tem grande capacidade de manter a sua função após ressecções bem planejadas, e o acompanhamento nos primeiros dias confirma essa recuperação.

O material retirado é sempre enviado para análise. As orientações de retorno às atividades e ao trabalho são individualizadas na consulta, de acordo com o seu caso.

Perguntas frequentes

Achei um nódulo no fígado em um exame. É grave?

Na maioria das vezes, não. Boa parte das lesões do fígado é benigna e descoberta por acaso. O passo seguinte é confirmar o tipo da lesão com exames de imagem adequados e definir, individualmente, se basta acompanhar.

Cisto no fígado precisa de cirurgia?

Em geral, não. Cistos simples costumam ser apenas acompanhados. A cirurgia é considerada quando o cisto é grande e causa sintomas, ou em situações específicas avaliadas caso a caso.

Por que alguns adenomas são operados e outros não?

A conduta depende do tamanho e das características do adenoma, que influenciam o risco de complicações como sangramento. Alguns têm indicação de retirada; outros, de acompanhamento. A decisão é individual.

Vou ter problemas vivendo com parte do fígado retirada?

O fígado tem grande capacidade de manter a sua função após a retirada planejada de uma parte. A extensão da ressecção é planejada justamente para preservar tecido saudável suficiente.

Fundamentação científica

As afirmações desta página são fundamentadas em literatura científica indexada no PubMed. Abaixo, as fontes e o que cada uma sustenta.

  1. 1

    Laparoscopic liver resection: Experience based guidelines.

    Coelho FF, et al. · World J Gastrointest Surg, 2016

    Fundamenta: Revisao de literatura conduzida por grupo brasileiro descreve a ressecao hepatica laparoscopica como segura e factivel para lesoes benignas e malignas, com vantagens de curto prazo sobre a cirurgia aberta, sobretudo em segmentos anterolaterais e na sectorectomia lateral esquerda.

    PubMed (PMID 26843910)DOI 10.4240/wjgs.v8.i1.5

  2. 2

    Outcomes of Laparoscopic Versus Open Liver Resection: A Case-control Study With Propensity Score Matching.

    Kirimker EO, et al. · Surg Laparosc Endosc Percutan Tech, 2023

    Fundamenta: Estudo caso-controle com pareamento por escore de propensao em pacientes com lesoes hepaticas benignas e malignas indica que a ressecao laparoscopica e factivel e segura, associada a menor morbidade em 30 dias e menor tempo de internacao do que a cirurgia aberta.

    PubMed (PMID 37311047)DOI 10.1097/SLE.0000000000001190